O AUTOR

Francisco Soriano de Souza Nunes, 66 anos, economista, é mineiro de Teófilo Otoni. Aos 17 anos, transferiu-se para o Rio de Janeiro.

Já na sua cidade, atuava na política, tendo, mesmo enquanto  menor idade, subido ao palanque do marechal Teixeira Lott (nacionalista que sentenciou: "A Petrobrás é Intocável"), e discursado em prol do candidato a presidente da república.

Naqueles anos, tornou-se comensal do Restaurante dos Estudantes, o famoso Calabouço, nos anos de 1962 a 1964, onde vivenciou inúmeros movimentos contra as injustiças do capitalismo e por melhores condições de ensino em nosso país.

Em 1965, através de concurso público, tornou-se funcionário da PETROBRÁS. Três anos depois, participou das eleições do Sindicato dos petroleiros do então Estado da Guanabara, atual Sindipetro-RJ, como membro da Chapa Verde, de oposição à política de arrocho salarial do governo ditatorial. Por tal participação, foi ilegalmente demitido, pois desfrutava de imunidade sindical, que assegurava a estabilidade no emprego.

Entre março de 1965 até julho de 1969 estudou na Faculdade de Ciências Econômicas do antigo Estado da Guanabara, e, por participar da política sindical e estudantil contra a ditadura, na madrugada de 01/08/69 foi preso em sua residência.

Em seguida, foi violentamente torturado pelo então Centro de Inteligência da Marinha (CENIMAR) e pelo Batalhão de Polícia do Exército do Quartel da rua Barão de Mesquita e da Vila Militar.

Reconduzido para o Ministério da Marinha, lá permaneceu de 29/08/69 a 19/11/69, sendo recolhido à prisão da Ilha das Flores e mais tarde ao presídio da Ilha das Cobras (próximo ao Arsenal da Marinha). Lá continuou sendo submetido a frequentes interrogatórios acompanhados de tortura moral e física.

Em 1970, por um ato secreto, ficou impedido de estudar por quatro anos consecutivos, com base pelo Decreto 477, quando também foi indiciado e denunciado em Inquérito Policial Militar - IPM instaurado pelo 1º Distrito Naval.

Ainda em 1970, casou-se com Ivone Espínola de Souza Nunes e se mudou para Campina Grande (PB) e posteriormente João Pessoa.

Em fevereiro de 1974, matriculou-se na Faculdade de Ciências Econômicas de Universidade do Estado da Paraíba, tentando assim concluir o curso de Economia. Em função de pedido de transferência de universidade, foi localizado pelo Serviço de Informações do Ministério da Educação, onde constava como procurado, e sequestrado pelo DOI/CODI a 16 de abril de 1974, sendo levado para um quartel do IV Exército em Recife. No trajeto, sofreu simulação de fuzilamento numa auto-estrada deserta entre João Pessoa e Campina Grande, quando o fizeram sair de uma viatura, atravessar a pista e antes de embarcar na outra efetuaram vários tiros em sua proximidade.Permaneceu incomunicável durante quinze dias, respondendo a interrogatórios de olhos vendados acompanhados de torturas.

Respondeu ao processo do PCBR como indiciado, durante oito anos até ser absolvido em 12 de maio de 1977, sendo que, em todas as audiências, teve seu nome  divulgado por todos os grandes órgãos de imprensa.

Muitos de seus companheiros de lutas políticas, de fora e de dentro das prisões que habitou, foram torturados, mortos e dados como desaparecidos. Soriano atuou com o Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro - GTNM-RJ para o resgate de suas memórias e muitos deles são hoje nomes de logradouros públicos. Não há um só dia em que não se recorde deles buscando reverenciá-los através da luta pelas liberdades e pelo avanço social de nossa Pátria.

Em 1985, Soriano retornou finalmente à PETROBRÁS como anistiado político, na função de Assistente Técnico de Administração Sênior.

Nos movimentos populares, sociais e pela anistia, mergulhou de corpo e alma, tornando-se membro da direção do MODECON, PACS, CONAPE,  e não consegue ficar alheio a nenhuma manifestação popular.

Em 2002, elegeu-se diretor do Sindicato de Petroleiros do Rio de Janeiro - Sindipetro-RJ e, em 2005, reeleito para ocupar a Secretaria de Finanças.

A 18 de outubro de 2005, a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, ALERJ, conferiu ao autor a Moção de Aplausos e Louvor, proposta pelo eminente deputado Paulo Ramos, numa seção solene em que foram comemorados os 51 anos de criação da Petrobrás e, a três de julho de 2008, recebeu o título de Cidadão Honorário do Município do Rio de Janeiro numa seção solene da Câmara dos Vereadores pelas mãos do vereador Rubens de Andrade.

O autor de A Grande Partida: Anos de Chumbo faz questão de ressaltar que Barbosa Lima Sobrinho foi seu grande mestre que lhe ensinou a lutar sem revanchismo e a conjugar nacionalismo com democracia e justiça social. Mostrou-lhe também que todos os irmãos brasileiros, civis e militares agora têm agora de se unirem, estudarem muito e lutarem pela soberania nacional, hoje, mais do que nunca, perigosamente ameaçada.