IMPRENSA
JORNAL SURGENTE - SINDIPETRO-RJ* 04/07/2008
UMA “GERAÇÃO MUTILADA” PELO REGIME MILITAR
Durante o lançamento do filme A Grande Partida, militantes torturados
durante a ditadura militar se comprometeram a escrever juntos
a "Enciclopédia do Horror e da Esperança"
O filme A Grande Partida: Anos de Chumbo, baseado no livro já esgotado de Francisco Soriano, teve lançamento concorrido no Centro Cultural Justiça Federal-CCJF. Com auditório lotado, muitos voltaram da porta. Quem não conseguiu assistir, é só comparecer ao projeto Cinema no Sindicato deste mês de julho. Ele será exibido no próximo dia 24, às 18:30, no auditório do Sindipetro-RJ.
Após a exibição no CCJF, um debate sobre os "anos de chumbo" uniu Modesto da Silveira, Marcos Arruda, João Luis Pinaud e Jarbas Silva Marques. Modesto propôs a produção coletiva de um livro com as várias histórias das vidas atingidas pela repressão militar, com fundos para o GTNM - Grupo Tortura Nunca Mais. Diversos participantes do plenário se colocaram imediatamente à disposição.
"Fiquei emocionado com o filme ", disse Pinaud, juiz que chegou a ser caçado pela ditadura. "Todos nós fomos surpreendidos pelo regime militar", lembrou, lamentando a "geração mutilada" pelos militares, em "um exercício de patologia". E denunciou: juízes estão trucidando, satanizando o MST, porque eles combatem as políticas desumanas ". Ele lembrou que as torturas continuam ainda hoje.
O economista Marcos Arruda falou na importância da construção de relações de cooperação e amizade e uma vida menos "egológica", " precisamos de um mundo humanizado".
Jarbas Silva Marques, comentou sobre técnicas de tortura ("senti a evolução técnica, ao longo dos anos") e falou sobre sua militância junto ao Partido Comunista, desde os 16 anos: "juventude sem espírito de rebeldia é servidor precoce" e concluiu com um verso de Castro Alves: "Quem foge da luta nem da morte é digno".
O POVO - Rio de Janeiro* 03/07/2008
FRANCISCO SORIANO: LANÇA O DOCUMENTÁRIO A GRANDE PARTIDA: ANOS DE CHUMBO
Colaboração de Daniela Lima
Um sobrevivente da ditadura vem mostrar ao público as memórias daquela época
Aos 63 anos de idade, o economista Francisco Soriano traz o resgate histórico da ditadura brasileira no documentário A Grande Partida: Anos de Chumbo, em que ele relembra os momentos difíceis que passou com a “vida clandestina” ao lado de alguns companheiros.
O filme é baseado em um livro homônimo, lançado em 2005, escrito também por Soriano. O lançamento do documentário acontece amanhã, no Centro Cultural da Justiça Federal. Após a exibição, terá um debate com Francisco e convidados.
O filme foi produzido pelo próprio autor e traz depoimentos de pessoas que sofreram na pele os horrores da ditadura, como Rodrigo Faria Lima, amigo que conheceu na prisão da Ilha das Flores. O autor faz questão de dizer que a publicação e o documentário não são uma forma de vingança.
- O livro e o filme não foram feitos com revanchismo. É uma esperança de um mundo melhor, de um mundo mais humano, mostrando que sempre vale a pena lutar por nossos ideais – afirma Soriano.
Em 1965, Soriano foi admitido na Petrobras como auxiliar de escritório. Três anos depois, participou das eleições do Sindicato dos Trabalhadores da empresa, como membro de uma chapa de oposição à política do governo ditatorial. Por conta disso, foi demitido.
Entre 1965 e 1969 estudou na Faculdade de Ciências Econômicas do antigo Estado da Guanabara e, por participar da política sindical e estudantil contra a ditadura, na madrugada do dia 01 de agosto de 69, foi preso em casa pelos agentes da ditadura. Foi violentamente torturado pelo então Centro de Inteligência da Marinha (Cenimar) e pelo Batalhão de Polícia do Exército do Quartel da Rua Barão de Mesquita e da Vila Militar. Só em 1985 pode voltar a Petrobras, como anistiado político e passou a atuar na área de Planejamento Econômico como Assistente Técnico de Administração.
O lançamento do documentário será amanhã, às 19h, de graça, no Centro Cultural da Justiça Federal, que fica na Avenida Rio Branco, 241 – Centro. Mais informações: 3261-2550.
O GLOBO - Rio de Janeiro* 30/06/2008 - Caderno Rio, p. 10
A Grande Partida: Anos de Chumbo
Ancelmo Góis
Sexta, será lançado o documentário A Grande Partida: Anos de Chumbo, com debate com Modesto da Silveira, às 19h, no Centro Cultural da Justiça Federal.
JORNAL DA PARAÍBA* 23/09/2006
LIVRO LANÇADO HOJE LEMBRA PERÍODO GOVERNADO PELA DITADURA MILITAR
Josusmar Barbosa
Será lançado neste próximo sábado, às 10 horas, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, em Campina Grande, o livro A Grande Partida: Anos de Chumbo, de Francisco Soriano. O livro narra a saga do autor e seus companheiros na clandestinidade durante a ditadura militar no Brasil.
O resgate histórico, escrito em tom revolucionário, mas também romântico, toca o leitor porque aguça a convicção de que sempre vale a pena lutar pelo que é justo, ainda que não haja vitórias aparentes.
Com 424 páginas, A Grande Partida: Anos de Chumbo nos passa informações preciosas para uma análise mais apurada dos últimos 50 anos do Brasil. Descreve o endurecimento forçado de um humanista em sua trajetória para libertar uma sociedade submetida ao terrorismo do Estado policial. É também um chamamento à luta, ao evidenciar que quando se equacionou a contradição predominante da ditadura versus democracia, outras passam a explicitar-se: neoliberalismo versus economia solidária, soberania nacional versus dominação norte-americana etc.
Mineiro de Teófilo Otoni, Francisco Soriano morou na Paraíba de 1970 a 1981, entre Campina Grande e João Pessoa. A sua identificação com a Paraíba guarda boas lembranças e uma má, por conta da tirania, que o seqüestrou e o torturou, juntamente com vários campinenses. "Escrevi sem espírito revanchista", explica Soriano, que dedica seis capítulos do livro a sua passagem pela Paraíba. Na obra, ele presta homenagem a vários amigos desaparecidos e mortos pela ditadura.
A ditadura ainda o demitiu da Petrobras em virtude de sua atuação sindical. Com a anistia, Soriano retornou àquela empresa onde trabalha até hoje, no Rio de Janeiro.
Campina Grande é a quarta cidade onde A Grande Partida: Anos de Chumbo será lançada. Já houve lançamentos da obra no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Teófilo Otoni
JORNAL DIÁRIO DE BORBOREMA* 20/09/2006
A GRANDE PARTIDA: ANOS DE CHUMBO, SÁBADO
Lauricéia Barros - lauriceia@db.com.br
Editora de Cultura
O resgate histórico, escrito em tom revolucionário, mas também romântico, toca o leitor
porque o convida a uma caminhada pela dignificação do ser humano.
Quatro décadas após a instalação de uma cruel ditadura no Brasil, Francisco Soriano narra, em "A Grande Partida: Anos de Chumbo" a sua saga e a de seus companheiros vivida na clandestinidade e na "ilegalidade", prefaciado por Modesto da Silveira, advogado de perseguidos políticos.
O livro será lançado em Campina Grande no sábado, às 10h, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi.
O resgate histórico, escrito em tom revolucionário, mas também romântico, toca o leitor porque o convida a uma caminhada pela dignificação do ser humano, aguçando a convicção de que sempre vale à pena viver, sonhar e lutar pelo que é justo, sobretudo junto a bons companheiros, ainda que não haja vitórias aparentes.
Com 424 páginas, A grande partida: Anos de Chumbo nos passa informações preciosas para uma análise mais apurada dos últimos cinqüenta anos do Brasil, com destaque para a década de 60. Descreve o endurecimento forçado de um humanista em sua trajetória para libertar uma sociedade submetida ao terrorismo do Estado policial.
É também um chamamento à luta, ao evidenciar que quando se equacionou a contradição predominante da ditadura versus democracia, outras passam a explicitar-se: neoliberalismo versus economia solidária, soberania nacional versus dominação norte-americana etc.
"A galeria de heróis que Soriano inspiradamente inseriu em seu livro permite-nos um vôo, ainda que curto, sobre os ideais, os sonhos e os desejos de mudança de toda uma geração. Sente-se nessas páginas a presença de um altruísmo que só a generosidade dos jovens admite. Mais do que uma dívida consigo, paga Soriano, com este livro, uma dívida com sua geração. E seus heróis, onde quer que estejam, verão que não foram esquecidos e haverão de entreolhar-se, comovidos, e repetir pela eternidade que os sonhos não morrem jamais", cita o diretor cultural do Modecom (Movimento em Defesa da Economia Nacional), Edson Teixeira Queiroz, prefaciando o livro.
Na apresentação, Antônio Modesto da Silveira, que como advogado "dos dias sombrios de suas prisões políticas durante a Ditadura Militar foi uma testemunha da luta de Soriano de 64 a 85. Para ele, A Grande Partida: Anos de Chumbo é um poliedro de figuras e eventos, que nos permite examinar e compreender o sólido multifacético da Ditadura Militar. Também nos permite compreender sua derrota pelos movimentos populares pelos direitos humanos e democracia, que convergiram para a Anistia e as Diretas Já.
O autor passou 25 anos escrevendo os capítulos do livro, que tinha 800 páginas, mas para a publicação foram reduzidas a 400. " Eu tinha grande dívida com os companheiros. Num estilo romanceado, busco traçar a história do Brasil e destes homens que viveram a época do Brasil em cinco décadas ", destaca Francisco Soriano, um mineiro radicado no Rio de Janeiro, funcionário da Petrobrás e dirigente sindical da SindPetro-RJ.
Ele morou em Campina Grande e em João Pessoa da década de 70 a 82. Casou-se com uma paraibana da cidade Monteiro, Ivone Espínola. Tem quatro filhos, sendo dois campinenses e dois pessoenses.
Contato com o autor pelos telefones (83) 9979-7902 e 3321-2034.
No sumário, o leitor poderá encontrar o Comandante José Milton Barbosa; Reminiscências; Teófilo Benedito Otoni - Um revoluncionário; Raízes; Voando alto; Vida de artista; O Primeiro palanque; Alô, Meu Rio de Janeiro!; Cartas de Janeiro de 1964; Ilhados; Entre Mortos e Feridos; A verdadeira História; O Fogão; No Sindicato dos Pedreiros Livres; Prisão e Sequestro; Anel de Formatura e mais galeria de mártires e heróis.
JORNAL A UNIÃO - João Pessoa* 19/09/2006
A GRANDE PARTIDA
Fernando Melo
Depois de 20 anos ausente da Paraíba, onde viveu mais de 10 anos, a partir de 1970
até o início da década de 80, está entre nós o economista Francisco Sorianno,
mineiro de nascimento e que hoje vive radicado no Rio de Janeiro.
Apaixonado pelo xadrez, fez muitas amizades entre nós, mas hoje ele não volta para jogar e sim para lançar o seu livro A Grande Partida: Anos de Chumbo, que será lançado neste sábado, 23 no Shopping Iguatemi, em Campina Grande.
No livro, Soriano narra a sua saga e a de seus companheiros vivida na clandestinidade e na ilegalidade durante os anos negros da didatura instalada no Brasil em 1964. A apresentação é feita pelo advogado de presos políticos, Modesto da Silveira, que diz a certa altura: "dos milhares de perseguidos políticos que defendi, Fransisco Soriano é um dos que mais me emocionaram pelo sofrimento e dignidade. É um dos que mais me emocionaram ainda por ter conservado seu riso de criança, como se estivesse em folguedos de manhãs de primavera, que sempre continua presenteando aos amigos, família e companheiros".
A propósito deste advogado, não deixe de ler a entrevista que ele concede ao autor do livro, registrada nas páginas 355 a 376. É um documento muito importante para se ter uma visão do que foi aquela página negra da nossa história. É claro que o livro de Soriano com suas 424 páginas é bastante significativo como peça comprobatória de um acontecimento que não pode ser esquecido, sob pena de um dia voltar. Manter banida a ditadura, mas nunca deixar de ser vigilante.
Acredito que A Grande Partida presta contribuição, principalmente por resgatar a lembrança daqueles que tombaram em defesa da liberdade e da plena democracia.
Soriano esteve comigo numa visita cordial de velhos amigos enxadristas.
E recebi um exemplar com este oferecimento:
"Queridos Fernando e Ana Melo. Para mim, a vida é uma eterna partida de xadrez. Contra a tirania , tivemos que nos sacrificar muito para vencermos A Grande Partida: Anos de chumbo. Você, Abdias, Wilson ...tantos outros viveram aqueles anos e agora é pensar inclusão, nação soberana e sociedade mais igualitária. Abraço amigo do Francisco Soriano, em 10/09/06."
Um detalhe: o livro é todo ilustrado com peças de xadrez, inclusive na capa.
Fernando Melo, é escritor e jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. redação@auniao.com.br
TRIBUNA LIVRE - Teófilo Otoni* 12/06/2006
A GRANDE PARTIDA: ANOS DE CHUMBO
“Só o homem é capaz de transcender, porque só ele é capaz de encontrar resposta para tudo!”
Com estas palavras, Francisco Soriano realizou, na noite do último dia 7, no Clube Palmeiras, o lançamento do seu livro A Grande Partida: Anos de Chumbo. O teofilotonense, que compõe a diretoria do Sindipetro do Rio de Janeiro, narra, em sua obra, a sua clandestinidade e de seus companheiros durante os negros anos da ditadura militar implantada no Brasil em 1º de abril de 1964. Na noite do dia 7, abordou suas experiências na prisão, os depoimentos prestados e defendeu a “economia solidária” e a paz. “Nós nascemos para amar, e não para odiar” – ressaltou, referindo-se ao presidente norte-americano George Bush. Ao encerrar o seu pronunciamento, Francisco Soriano destacou: “Lutem pelo que vocês acreditem!”
Em seguida, falou o advogado de presos políticos Modesto da Silveira. Ele abordou o cenário negro da ditadura militar. A tortura, a humilhação e o desrespeito à criatura humana. “O livro vai dar a vocês um testemunho vivo do que foi aquela época e a luta para que aquelas coisas não mais aconteçam.” – destacou. E lembrou a troca de embaixadores estrangeiros por presos políticos levados para o Chile, França, Japão e China.
Lucas Míglio ressaltou ter passado a noite anterior ouvindo Francisco Soriano e Edson Soares, “num verdadeiro aprendizado da história recente do Brasil”.
A noite, patrocinada pelo Instituto Histórico e Geográfico, dirigido pela professora Íris Soriano (irmã do escritor), foi prestigiada por altas personalidades locais, como a professora de literatura Regina Molina (apresentadora do lançamento), Edson Soares (ex-companheiro de cela de Soriano) e Lucas Míglio (representante da prefeita Maria José).
Sobre a obra, Gilberto Ottoni Porto diz, em depoimento escrito: “A grandeza de sentimentos que flui do testemunho de vida do autor e de seus heróis nos eleva e fortalece na luta do dia a dia, ao mesmo tempo em que a covardia da tortura e o terror da repressão nos revoltam e enojam.”
AGORA - Teófilo Otoni* 06/05/2006
A GRANDE PARTIDA: ANOS DE CHUMBO
Aos 20 de dezembro próximo passado, no museu da República – Catete – Rio de Janeiro, foi realizado o pré-lançamento do livro A Grande Partida: Anos de Chumbo, de autoria do nosso conterrâneo Francisco Soriano de Souza Nunes. O evento foi um grande sucesso devido à forte liderança do autor na Petrobrás, onde participa da direção do SINDIPETRO-RJ, tendo sido reeleito para o período 2005/2008; bem como ao enorme círculo de amizade granjeado em todas as organizações que tem participado, entre elas, o MODECON – Movimento em Defesa da Economia Nacional e o GTNM – Grupo Tortura Nunca Mais.
Aos 14 de março, em Belo Horizonte, o sucesso se repetiu, quando o Francisco recebeu no Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais mais de uma centena de amigos, em uma inesquecível noite de autógrafos, enriquecida com palestras de personalidades notáveis como: Nilmário Miranda, Modesto da Silveira e José Maria Rabelo que enalteceram o trabalho e a vida do nosso conterrâneo.
Pessoa simples, afável, alegre e comunicativa, Francisco, com este livro, realizou mais um sonho de sua vida e, ao mesmo tempo, nos brindou com uma obra de leitura imperdível para todos aqueles apaixonados pelo nosso país e pelo seu povo. A grandeza de sentimentos que flui do testemunho de vida do autor e de seus heróis nos eleva e fortalece na luta do dia a dia, ao mesmo tempo, em que a covardia da tortura e o terror da repressão nos revolta e enoja.
A saga revolucionária e romântica nosso conterrâneo resgata valores humanos eternos, honrando a nossa terra e a nossa gente.
A figura de Teófilo Benedito Ottoni, paladino da liberdade e da resistência à opressão, sempre foi para o Francisco uma referência magna, com destaque especial em seu livro.
O nosso país e, em especial, a nossa região do Mucuri, precisa valorizar mais os seus heróis, muitos deles pessoas anônimas que sacrificaram suas vidas para que seus descendentes pudessem viver mais e melhor. Ao ensejo dos 150 anos da nossa colonização e dos 200 anos de nascimento do nosso fundador – Teófilo Benedito Ottoni, o lançamento deste livro do Francisco em Teófilo Otoni será para todos nós motivo de muito orgulho e satisfação.
Gilberto Ottoni Porto é conselheiro da Associação dos Filhos e Amigos de Teófilo Otoni e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri.
ESTADO DE MINAS* 18/03/2006
CONHECER MELHOR O PASSADO, PARA ENTENDER O MOMENTO PRESENTE. COM ESSE OBJETIVO, FRANCISCO SORIANO ESCREVEU O LIVRO DE MEMÓRIAS A GRANDE PARTIDA: ANOS DE CHUMBO, LANÇADO SEMANA PASSADA EM BELO HORIZONTE.
Ângela Faria
Aos 63 anos, o petroleiro conta a saga de sonhos, militância, prisões e perseguições vivida não só por ele, mas também por sua geração, que ousou enfrentar a ditadura militar implantada no país entre 1964 e 1985.
Caçula de 10 filhos, Francisco foi criado em Teófilo Otoni. Foi lá que o jovem de 17 anos estreou na política, como locutor de carros de som que convidavam para comícios em favor da chapa marechal Lott -João Goulart à Presidência da República.
Diploma do ginásio na mão, lá foi Francisco estudar no Rio de Janeiro, onde participou de momentos cruciais da história recente do Brasil: viu de perto o golpe de 64 , o assassinato do estudante Edson Luiz, as passeatas pró-democratização e o AI-5.
Aprovado em concurso público, ingressou na Petrobrás e passou a militar na entidade representativa dos trabalhadores da estatal, sob a mira das comissões gerais de investigação (CGIs) criadas para vigiar petroleiros e providenciar demissões políticas dos suspeitos de “comunismo”.
Militante sindical, integrou o grupo de oposição aos pelegos apoiados pela direção da empresa. A Chapa Verde ganhou, mas não levou. Teve quase 200 votos a mais, mas não tomou posse, por ordem do 1º Exército. As eleições acabaram anuladas pelo coronel Jarbas Passarinho, ministro do Trabalho. Em 1969, Soriano se desligou do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN), mergulhando na clandestinidade.
Demitido da estatal, foi preso por agentes do Centro de Inteligência da Marinha, o temido Cenimar. Torturado, dividiu cela em vários quartéis com militantes de esquerda, jornalistas, estudantes, intelectuais e líderes sindicais. Livre, casou-se com Ivone, a fiel namorada, e foi para Campina Grande, na Paraíba, terra da família dela.
Em 1974, nova prisão. Francisco se matriculara na Universidade Federal da Paraíba e acabou descoberto pela repressão. Libertado, era seguido diariamente por agentes. Formou-se em economia, respondeu a processo e foi absolvido em 1977.
A ditadura militar perdia fôlego, o movimento Diretas-Já ganhava espaço no país e, em 1985, o autor foi readmitido pela Petrobrás, na condição de anistiado político.
Atualmente, Soriano é dirigente do Sindipetro - RJ e milita no Movimento em Defesa da Economia Nacional, criado por Barbosa Lima Sobrinho, para lutar contra o neo-liberalismo.
Valeu a pena tanto sofrimento? A essa pergunta, o autor de A Grande Partida: Anos de Chumbo responde com outra indagação: “Como ficar indiferente e não lutar contra a pior distribuição de renda, terra e riqueza do mundo, nesse país tão rico chamado Brasil?” E repete Che Guevara: “Se és capaz de se indignar frente a uma injustiça, és meu companheiro”.
Em seu livro, ele presta homenagem a vários amigos desaparecidos e mortos pela ditadura. “Montamos a galeria de heróis movidos pela energia que eles continuam a irradiar”, explica.
Francisco Soriano quer lembrar às novas gerações que essas pessoas não são meras placas que batizam ruas e avenidas. Lutaram pelo Brasil e fizeram a roda da história girar.
JORNAL DA AFATO - Belo Horizonte, p.8* 01/03/2006
FRANCISCO SORIANO LANÇA LIVRO EM BH
Depois do pré-lançamento em 20 de dezembro no Museu da República (Catete), no Rio de Janeiro, o conterrâneo e afatiano Francisco Soriano de Souza Nunes lançou no dia 14, no Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, na avenida Álvares Cabral, em Belo Horizonte, o seu livro A Grande Partida: Anos de Chumbo. Funcionário da Petrobrás, onde participa da direção do Sindipetro-RJ, tendo sido reeleito para o período 2005/2008, Francisco Soriano é uma pessoa simples, afável, alegre e comunicativo. Com este livro ele realizou um sonho de sua vida e ao mesmo tempo está brindando a todos com uma obra de leitura indispensável, principalmente para os teófilo-otonenses que têm oportunidade de vivenciar os fatos acontecidos na cidade quando da infância e juventude do autor. Ao mesmo tempo, Francisco relata quanto sofreu com a covardia e o terror da repressão nos considerados anos de chumbo da ditadura militar.
Francisco Soriano é filho do farmacêutico e juiz de paz Avelino Nunes de Paula e da professora primária Ruth Soriano de Souza Nunes, ambos já falecidos. A família residiu na rua Marcelo Guedes, em Teófilo Otoni. Em janeiro de 1961, depois de terminar o ginasial no Ginásio São José, Francisco mudou-se para o Rio de Janeiro para dar seqüência aos estudos. Depois de concluir o curso científico, iniciou o curso de economia na Universidade do Estado da Guanabara, mas perseguido e preso pela Ditadura Militar, só conseguiu tornar-se bacharel em 1974, na Universidade Federal da Paraíba, em Campina Grande, para onde se mudara tentando fugir da perseguição que sofria, diante de sua participação nos movimentos contrários à Revolução de março de 1964.
A Grande Partida: Anos de Chumbo terá também o lançamento em Teófilo Otoni, onde certamente contará com o apoio da comunidade, principalmente das lideranças culturais e políticas.
JORNAL DO BRASIL, Rio de janeiro* 21/02/2006
O GUERRILHEIRO ZEN
Luíz Horácio
A grande partida recupera a luta contra a ditadura em tom de diário
Pergunta que consegue me tirar do sério: ''Esse livro é sobre o quê?''. Livro que se preze não é sobre isso ou aquilo, é um recorte da vida, ou de como ela deveria ter sido. É o caso de A grande partida - Anos de chumbo, praticamente um diário do autor Francisco Soriano. E prefiro encará-lo dessa forma, como um diário, porque em vários momentos o tom confessional fere de raspão a pieguice. Francisco não utilizou um personagem para narrar os trágicos anos de chumbo. Relata os acontecimentos da época, mas, diferentemente da maioria dos livros do gênero, não se apresenta e não permite que o vejam como um mártir que dedicou seus melhores anos ao combate do tirano.
A grande partida: Anos de chumbo ou ''O diário de Francisco'' ou ainda ''Diário de um guerrilheiro zen'' é, em última instância, um livro de história, da história escrita pelos homens de carne e osso onde verdade e mentira podem ser cotejadas a qualquer instante, visto que muitos daqueles que ajudaram a escrevê-la ainda estão vivos.
Francisco Soriano foi um, entre tantos, dos que tentaram combater, impedir as atrocidades da ditadura. E seu livro é leitura obrigatória porque, além de não se esquecer de dividir as ações daquele tempo com seus companheiros, assim os homenageando, permite ao leitor entender (ou desconfiar de) como o mesmo peito pode abrigar, ao mesmo tempo, o coração de guerrilheiro em plena luta armada e a capacidade de amar.
Eu avisei que trataria o livro como um diário e, sendo assim, concluída a leitura, é praticamente impossível não dissociar o guerrilheiro do jovem Francisco e suas incursões amorosas pelo Rio de Janeiro. Alguém já alertou a respeito do perigo de lutar contra o inimigo e ficar igual a ele, e quando os revolucionários utilizam o argumento de que os fins justificam os meios estão simplesmente confirmando a regra.
O autor, no entanto, consegue suavizar o tom ao entremear aspectos de seu dia-a-dia. Ganha crédito com o leitor, que vê na sua luta a tentativa de encontrar um sentido para a existência. Embora a sombra do maniqueísmo costume pairar sobre livros dessa ordem, Francisco Soriano passa longe da linha do revanchismo, aquela que inventa culpados e inocentes. Sem esquecer de apontar os equívocos de seu lado, faz uso de condescendência e humanismo imerecido para com os detentores do poder e paladinos da truculência.
Francisco Soriano aponta inúmeros fachos sobre a história e cabe ressaltar o alvo de um deles: a maçonaria. Entendida equivocadamente, desde sempre, como vestal submissa aos poderosos, em Anos de chumbo... o autor mostra a verdadeira face da maçonaria, aquela que não esconde uma das razões de sua existência: lutar pelos oprimidos. Talvez a que resuma seu sentido, pois, agindo assim, não estaria lutando pelo nosso bem maior, a liberdade?
Dito isso, pacientes leitores, sugiro que não desperdicem jamais a oportunidade de espionar os diários alheios. É com essa intenção que eles se justificam e se, por acaso, encontrar algum como A grande partida..., sorte sua, que perceberá outros sentidos sob a superfície do texto. Um deles, a simplicidade quase inatingível.
REVISTA PETROS - Rio de Janeiro* 01/02/2006
MEMÓRIAS DOS ANOS DE CHUMBO
Obra relata a militância de um idealista durante a ditadura
As chagas deixadas por um dos períodos mais truculentos da história do país novamente são expostas numa publicação sobre a ditadura militar. Diferentemente dos livros escritos com o distanciamento e a frieza peculiares aos jornalistas e historiadores que já abordaram o tema, A grande partida : anos de chumbo, de Francisco Soriano, é passional – uma espécie de caderno de memórias do homem que sentiu na carne o horror dessas atrocidades
Como faz questão de sublinhar, as 424 páginas do livro são escritas em tom revolucionário, mas ao mesmo tempo romântico e literário. Despido de revanchismo, o ex-guerrilheiro não se limita a narrar sua trajetória pessoal. Além disso, analisa detidamente o período (1960 a 1985), tentando mostrar o cotidiano dos brasileiros obrigados a viver na ilegalidade, embora dentro do território nacional. Recorda também dos enfrentamentos com as forças de repressão, das reuniões clandestinas dos militantes, dos planos para o futuro, dos sonhos, dos romances, das ações armadas da época...
Hoje, no entanto, quem vê esse senhor de 63 anos, fala mansa e com um sorriso constante estampado no rosto, não imagina estar diante de um guerrilheiro que abriu mão de uma vida confortável em prol de um ideal: o restabelecimento da democracia brasileira. Pela opção, foi vítima de perseguição política, prisões (a primeira delas por 104 dias), torturas e toda sorte de constrangimentos.
No livro, relata que foi demitido da Fronape por ter concorrido à direção do sindicato dos petroleiros do antigo Estado da Guanabara. A chapa tinha uma postura nacionalista e defendia pontos como o monopólio estatal do petróleo e o fim do arrocho salarial imposto pelo governo Castello Branco. Mesmo derrotados, ele e vários companheiros foram demitidos por questões políticas - uma espécie de condenação ao desemprego, já que ficavam proibidos de trabalhar em empresas terceirizadas e até de ingressar nas instalações da Petrobrás. Soriano retornou à companhia em setembro de 1985 por conta da Lei da Anistia, atualmente é dirigente do Sindipetro-RJ e não cogita a possibilidade de aposentadoria. "Um pretenso revolucionário não pode se dar o direito de pensar em parar de trabalhar, porque isso é fruto de uma cultura burguesa."
Atualmente continua engajado em questões sociais, razão que motivou sua adesão ao Movimento em Defesa da Economia Nacional, criado em 1989 por Barbosa Lima Sobrinho. Para ele, a maior luta do brasileiro nos dias atuais é contra o neoliberalismo político e a dominação norte-americana.
REVISTA PETROBRAS 113 - Rio de Janeiro, p.13* 01/02/2006
A IMPORTÂNCIA DA POLÍTICA NA VIDA DO ECONOMISTA FRANCISCO SORIANO, 63 ANOS, DA ESTRATÉGICA CORPORATIVA, FICA CLARA NO LIVRO A GRANDEPARTIDA:ANOS DE CHUMBO , QUE ELE ACABA DE LANÇAR.
São 424 páginas de histórias de uma militância política que levou à sua demissão da Petrobrás em 1968, por participar de uma chapa sindical de oposição à ditadura militar, depois à prisão e à tortura em três ocasiões diferentes. Após a demissão, Soriano foi para a luta armada e caiu na clandestinidade.
“Com este livro, pago uma dívida com meus companheiros que tombaram”, diz Soriano, que foi anistiado em 1985 e reintegrado aos quadros da empresa. Hoje ele ocupa a diretoria financeira do Sindipetro-RJ.
Soriano ficou 25 anos escrevendo suas memórias políticas e confessa ter introduzido uma história de amor ficcional para dar mais graça ao livro. “Tempero este tema, que é tão duro e cruel, com o amor.”